Presos políticos saarauís <br>sem justiça e sob mordaça
SOLIDARIEDADE Expulsões, espancamentos e detenções estão a marcar o julgamento de 24 presos políticos saarauís cujo «crime» é defenderem a autodeterminação do Saara Ocidental.
Ao regime ocupante marroquino não basta montar uma farsa
A terceira sessão do julgamento dos saarauís conhecidos como grupo de Gdeim Izik, iniciada segunda-feira, 13, em Rabat, no Reino de Marrocos, continuou a evidenciar os graves erros processuais, a ausência de provas materiais sólidas e as violações dos direitos humanos já antes identificados pela defesa e por organizações de direitos humanos. Perante tais factos, às perguntas da acusação, os réus responderam somente com a garantia de que as suas declarações haviam sido obtidas sob tortura.
Todos reafirmaram, ainda, a sua condição de presos políticos, relata-se na página na Internet porunsaharalibre.org, que acompanha o andamento do processo e tem neste momento uma observação privilegiada sobre os acontecimentos.
A mesma fonte denuncia que ao regime ocupante marroquino não basta montar uma farsa judicial. Antes do início da terceira sessão, agravou a violência e a mordaça retardando a chegada de advogados de defesa, expulsando um observador espanhol (dos cerca de 30 enviados pelo Parlamento Europeu, por Espanha, Portugal, França e Noruega) e a esposa de um dos encarcerados.
Já depois do início dos trabalhos, à porta do tribunal onde se encontram familiares e amigos dos presos políticos saarauís, um jornalista ao serviço da televisão da República Àrabe Saarauí Democrática (RASD), Mohamed Daddi, foi espancado, preso e transferido para os cárceres negros de El Aaiun, capital ocupada do Saara Ocidental.
Em Portugal, o Conselho Português para a Paz e a Cooperação manifestou a sua preocupação face à recusa do Reino de Marrocos «em respeitar os direitos dos presos políticos e as convenções da ONU».
O CPPC reafirmou, também, a sua solidariedade para com a causa e luta do povo saarauí, bem como «a sua exigência do cumprimento, pela força ocupante, o Reino de Marrocos, das decisões assumidas pela ONU e pela União Africana».
O PCP apresentou, sexta-feira, dia 10, na Assembleia da República, um voto de solidariedade sobre os presos políticos saarauís, aprovado com os votos contra do PSD e CDS.